Diz-me que estes brincos me ficam bem e que
reconheces o esforço que faço para aos poucos mudar a imagem que tive durante
anos e que nunca gostei. Que este casaco combina com as botas de salto alto que
escolhi especialmente hoje para ficar mais alta, mais elegante por muito que os
pés me ardam, só para que tenhas orgulho em estar ao meu lado na rua. Que esta
camisa me faz parecer mais magra, quando a cada dia que passa aumenta a minha
vontade de cortar pedaços do meu próprio corpo. E que as calças me caiem mesmo
bem junto ao rabo. Diz-me que estou sexy e que me desejas, e olha para mim como
se todos os meus comportamentos fossem os gestos mais sedutores de qualquer
mulher que já tenha existido desde o início da humanidade. Mais do que isso,
faz-me sentir uma deusa para ti. Faz-me inventar no teu olhar juras de desejo
louco e ardente de quereres o meu corpo só para ti da maneira mais possessiva e
dominante e fútil e física possível. Mais carnal, mais apaixonante, mais
verdadeira. Mente-me. Podes mentir-me ao dizer isto tudo, mesmo sabendo que eu
não vou acreditar, mesmo sabendo que vou dizer para parares com isso. Só quero
ouvir essas palavras da tua boca, só quero sentir por um minuto que posso ser
interessante para ti. Que talvez acredites no que dizes. Que se o disseres
muitas vezes se torne real. Sou bonita. Sou atraente. Desejas-me. Diz mais uma
vez, se fechar os olhos e os sentidos quase que consigo acreditar. Diz mais uma vez. Diz-me só mais uma vez.
terça-feira, 22 de abril de 2014
domingo, 9 de dezembro de 2012
life
Be stupid and make the wrong decisions. Take risks, create your own roads, don't look for shortcuts. Feel with the brain, think with the heart, feel with the heart, think with the brain. Grow up, and then be a child again, live like a children, laugh and cry and everything with a young soul. Go back, make mistakes, but learn with that. Make other mistakes, new mistakes. But do something, choose to live. Be human, be you, be whatever you want to be. Maybe you will never know what you are supposed to be or to do, but keep trying to find, keep living. "One life, live it well."
domingo, 9 de setembro de 2012
"São 5 anos que parecem 5 dias, tens de aproveitar ao máximo"
Há um ano atrás era anti praxes.
Influenciada pelas noticias escandalosas e pessoas
extremistas, pensava que as praxes eram mais um motivo para poder humilhar
outros. Que o traje era uma forma de se sentirem superiores aos restantes. Que tradições e espirito
académico não passavam de mitos para envolver toda esta história.
Mas sempre achei que para ter uma opinião mais fundamentada,
devia experimentar, comprovar. E assim foi. Mal dormi de ansiosa que estava por
descobrir este novo mundo.
Primeiro dia, não tão mal como achava, mas mesmo assim
estava reticente. Segundo dia, terceiro, quarto. Comecei a associar nomes a
rostos e sentia cada vez mais vontade de ficar a noite toda, de voltar no dia seguinte.
O ambiente era de festa, de respeito. De integração. E foi esse o facto que me
fez mudar de opinião. Senti-me integrada, senti que aquela iria ser a minha
nova casa e aqueles a minha nova família. E gostei.
Agora, passado um ano, recordo as pessoas que conheci, os
risos que partilhamos, a madrinha que escolhi, o meu baptismo, as festas, as
amizades, as granadas, de ser caloira, os freudianos, os segredos, as noites dormidas na rua, os exageros de
me deixar sentada no chão, e quem ficava lá ao meu lado, de descobrir sítios novos,
dos jantares, de receber o traje, de ter padrinho, do meu segundo baptismo (se
é para aproveitar, aproveita-se a dobrar), do ISPA, dos abraços reconfortantes, da noite
do enterro, de trajar pela primeira vez, do orgulho, da igreja, das musicas, das palavras,
de me traçarem a capa, dos segredos contados e felicidades partilhadas, dos
choros incontroláveis, do momento mágico atrás da igreja, das quintas-feiras negras, dos emblemas, da
estrela, da queima das fitas, das três bengaladas, da família.
Hoje, ao escrever isto, sinto-me viciada por este espirito
académico, que me corre no sangue o
grito e as musicas e as praxes, e que o traje já faz parte da minha alma.
Amanhã, trajo pela primeira vez como segundanista. E mal
posso esperar por mais um ano.
domingo, 8 de julho de 2012
A viagem
A ansiedade perturba-me o sono. Como que uma bola animada; o
meu peito assim reage perante o desconhecido, o novo. A mil à hora a mente
vagueia tentando adivinhar o que aí vem, tecendo planos, histórias, ideias,
projectos, objectivos. Mas o que irá acontecer, está nas mãos dos deuses. Assim
será.
De mente, espirito e corpo aberto, aqui vou. Inicia-se a
viagem.
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